Na última crítica falei sobre o quanto a série é interessante e prende a atenção, embora seja bastante falha quando se trata de empolgação. Por empolgação quero dizer que você não tem sede de assisti-la, não passa a semana doente para ver o próximo episódio. Ao menos não até agora. Como já ressaltei este é um item essencial para a sobrevivência da série. Mas como previsto, o quadro não muda a semana, continua apenas interessante. Acho que a vontade de conhecer novas e curiosas doenças por semana e a simpatia do Jack Gallagher pode segurar a barra por enquanto. É o que tem me prendido à série.
Nesta semana, como não poderia deixar de ser, mais um caso curioso. Conor, um garoto de oito anos viciado em videogames, é diagnosticado por mutismo eletivo e transtornos de conduta. No mutismo eletivo, a criança toma uma decisão deliberada para não falar. Só falam com certas pessoas, como membros da família ou amigos próximos, por exemplo. Já o transtorno de conduta é uma espécie de personalidade (que não está completa antes dos 18 anos) anti-social na juventude. O ambiente familiar ou as más companhias podem ser o motivo para tal comportamento. Mais à frente no episódio ficamos sabendo de sua tentativa de suicídio. Mas não é só isso, o garoto também tem alucinações em que ele é o protagonista em um jogo de videogame, e passa quase o tempo inteiro “jogando” este jogo. Não posso negar quem e identifiquei com ele, neste ponto, heheh. Percebemos que o motivo do transtorno é a atual ausência e a pressão que seu pai faz para que ele seja um filho prodígio, e o garoto acaba compensando todo o stress com os videogames. Foi no mínimo legal ver suas alucinações. Só eu fiquei afim de jogar o "Conor vs Devil"? Tá bom, era idiota, mas de qualquer forma eu queria.
Paralelamente, a irmã de Jack, Rebecca, que até agora representa o único gancho entre as tramas dos episódios, continua com suas ligações mudas para o irmão. Pela primeira vez a vimos, de costas, ao que parece mendigando pela cidade. Mas dessa vez Jack ouve através do telefone um sino de igreja, e começa a procurar a irmã pela cidade. Quando acha a igreja que ouviu, o episódio acaba. Oh, serão os roteiristas finalmente querendo instigar nossa curiosidade?
Conhecemos a filha de Nora, Ainsley, e descobrimos que ela costuma publicar fotos sensuais suas na internet. A novidade não adiciona nada substancial, mas é necessário aprofundar na vida dos principais personagens, não só do protagonista, para que haja uma relação dos espectadores para com eles. De fato, é uma surpresa que não o tenham feito antes.
A atuação do Jack vem melhorando um pouco. A da Nora, nada a reclamar. A do Conor, só seus gritos me irritaram. A de seus pais, nhéh. A de Ainsley, duvidosa. A de Becky? Tá, parei.
É notável que seriado tem acumulado gradativamente pontos positivos a cada episódio e tem potencial para melhorar muito mais. As partes (direção, atuação, roteiro, etc.) parecem estar entrando em sintonia. Basta saber se a audiência será paciente. Só se esta for conquistada a série poderá criar tramas mais longas, por que caso ela esteja encima do muro para ser cancelada será mais facil criar um "fim". Mas se conheço os estadunidenses, essa história de esperar... hum. Ou tomam alguma providência rápido, ou a série poderá estar com seu futuro comprometido.
São João da Capitá 2013
Há 12 anos
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