A quarta temporada (e quinto volume, intitulado “Redenção”) de uma das séries com uma das tramas mais inconstantes da atualidade começou. Meu entusiasmo pelo seriado já está há muito afetado, mas tentarei ser o mais justo possível aqui quanto aos acertos e erros da equipe de produção. E esta provavelmente será uma crítica extensa, já que o primeiro episódio são na verdade dois. Um capítulo duplo de estréia. Então, ao trabalho.
O episódio começa mostrando como vai a vida de cada personagem. Claire, que anda traumatizada com tudo o que ocorreu e agora tenta voltar à sua vida normal, está na faculdade, e sua colega de quarto, Annie, está empenhada a fazê-la ter um projeto de vida, assim como ela. Mais à frente, Annie se mata, sem nenhum motivo aparente. Claire, por sua vez, está convencida de que não foi um suicídio, e Gretchen, outra garota da faculdade, se prontifica a ajudá-la a provar o assassinato. E não demorou para ela descobrir que Claire é invencível.
Hiro e Ando criaram uma empresa onde eles poderão ajudar as pessoas, chamada “Dial a Hero”. Peter passa suas horas vagas como enfermeiro salvando pessoas pela cidade. Seu primeiro cliente, uma menininha com um gato preso no telhado, ficou satisfeitíssima com o trabalho, mas Hiro, depois de parar o tempo, entra em um tipo de transe e fica paralisado. Ele explica a Ando que um médico disse-lhe que ele morrerá em breve. Do nada, volta no tempo 14 anos para a noite em que visitou uma vidente em um parque que lhe disse que ele seria um grande herói quando crescesse.
Noah, a contragosto, mantém a Companhia de pé por ordens de Angela. Aparentemente Tracy tenta matá-lo, mas ele é salvo por Danko. Mas, espera aí. Tracy não morreu? Não, gelo derrete. Ressuscitar um personagem com uma desculpa esfarrapada dessas? Bem, é Heroes.
Nattan, que na verdade, como vocês sabem, é o Sylar transformado e com a memória apagada, aparenta estar cada vez mais ciente de que ele não é quem ele pensa que é, e seus poderes aos poucos estão voltando. Ao longo de todo o capítulo, vemos a lenta transformação de Nattan em Sylar. Angela pede para Matt ajudá-la a fazer com que o Sylar dentro de Nattan suma de uma vez por todas, mas ele se recusa. Apesar de estar vivendo uma vida normal com sua família, depois de ter feito a transformação de Sylar em Nattan, a mente de Sylar parece ter se tornado parte dele, e pelo jeito não vai deixá-lo em paz até conseguir seu corpo de volta.
A grande novidade é o “Parque dos Irmãos Sullivan”, fruto de todo um time de novos personagens. Entre eles está Samuel, interpretado por Robert Knepper, o T-Bag de Prison Break. Seus poderes não estão claros ainda. Aparentemente Danko, que continua a caçar o pessoal mesmo sem a ajuda do governo, matou algum dos mutantes do parque e roubou uma chave dele. Para o que, ninguém sabe. Agora Samuel pretende se vingar, então ele manda um de seus capangas para fazer o serviço. Sucesso, mas a chave acaba caindo nas mãos de Noah. Além disso, eles vão tentar encontrar Hiro para mudar algo em seus passados. Ele volta no tempo justamente para o dia em que Hiro estava, 14 anos atrás.
Peter aproveita suas horas livres como paramédico para salvar pessoas pela cidade. Mas não por muito tempo. Noah aparece em seu apartamento depois de ter descoberto que a chave pertence a um cofre em um banco, e pede ajuda a Peter na missão de ir lá, pois acha que o assassino de Danko estaria à espreita. E ele estava certo. O maluco da faquinha aparece por lá logo depois de Noah e Peter tirarem uma bússola quebrada do cofre. Ele não consegue roubar a bússola (na hora, mas depois sim), mas a cena nos rendeu umas das melhores cenas de luta do seriado até agora.
Descartando alguns diálogos repletos de frases feitas e previsíveis, de uma forma geral, considerando a mania que os roteiristas tem de começar a história da estaca zero a cada temporada para tentar ganhar audiência, o episódio foi meramente introdutório. Talvez eles devessem parar de se preocupar tanto com a audiência e tomar o foco na trama original que eles tinham em mente no início. É claro que, depois de tantas mudanças e recortes, seria praticamente impossível tomar este rumo, mas deviam realmente pensar em criar um foco central para toda a trama. Por enquanto, vamos só esperar para ver.


