Desculpem-me o atraso dessa semana, mas aqui vai a crítica do terceiro episódio de Mental.
Com a empolgação comprometida devido aos dois primeiros capítulos medianos da nova série, comecei minha seção sem grandes expectativas, mas estas imediatamente ressurgiram ao ver já no primeiro minuto David Carradine, o Bill de “Kill Bill”, que infelizmente foi encontrado morto no início deste mês. O ator interpreta o paciente principal da vez, Gideon Graham, que sofre de catatonia, uma forma de esquizofrenia que se assemelha muito a um coma, já que o paciente permanece sempre imóvel e absorto do mundo à sua volta, não come, não bebe e não controla suas necessidades biológicas. A pessoa que sofre da doença pode parecer estar morta, podendo até ser enterrada viva. Chega a ser uma ironia que o ator tenha morrido antes do episódio ser exibido, e sua exibição parece até insensível. Apesar de sua atuação quase nula neste caso, posso dizer que sua morte foi uma imensa perda para o meio artístico.
Em segundo plano conhecemos Darren Knuth, que tem fortes acessos de raiva. Não me sai da cabeça que o ator que interpreta a personagem foi o modelo utilizado para criar o Sr. Incrível em “Os Incríveis”. Fora isso, atuação satisfatória. O caso foi rapidamente solucionado quando o paciente foi ameaçado de ser acusado ao seu pai por mau comportamento, o que nos diz que seus problemas psicológicos foram causados por traumas em sua infância.
Jack continua sendo o ponto forte, e não me refiro ao desnecessário sex appeal. Dificilmente os protagonistas dos seriados estão entre as melhores personagens, e o foco da narrativa por diversas vezes acaba se voltando para a preferência da audiência. Este Jack, porém, vem empurrando os episódios para cima com a barriga. Realmente a personagem nasceu para tomar as rédeas do seriado, o que demonstra a habilidade dos roteiristas em alguns pontos.
Não se pode negar que a série é interessante e cativante, mas ainda tenho a sensação de que falta algo. Estes primeiros episódios transmitem um clima de meio de temporada quando deviam nos prender ao que está por vir. Parece o pequeno descanso que precede o clímax prolongado por três capítulos, mas sem deixar de prender a atenção. Os roteiristas equilibram perfeitamente drama e humor. Mais um ponto para eles. É um seriado sério, mas que não chega a ser melodramático, e engraçado, mas que não chega a ser uma comédia. O problema é saber se isto será o suficiente para sua sobrevivência. Só o tempo dirá.
São João da Capitá 2013
Há 12 anos
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