Semanas decisivas de agora em diante para série. O dia da exibição mudou. Passou das terças para as sextas. A mudança causou um certo estardalhaço nas pessoas que acompanham a série pela internet no Brasil, esta semana. Muitos pensavam que a série teria sido cancelada. Felizmente ela continua firme, mas a força só as próximas semanas poderão medir.
Pela primeira vez temos três aparentes casos como enfoque central do episódio. O primeiro, Leonard Steinberg, um suicida viciado em jogos. O segundo, Tray Hansen, que é acusado de homicídio qualificado. Enquanto Marcie Crane, a advogada da acusação, tenta por Tray atrás das grades, Jack assume o papel da defesa. Paralelamente ele tenta livrar a barra de Leonard, que perdeu uma grande aposta em um jogo e não vê mais motivos para viver, por isso seus impulsos suicidas. O diferencial é que o episódio não se passa apenas no hospital ou na casa dos pacientes. As tramas envolvem mais personagens do que o normal, e eles conseguem desenvolver um caso sem comprometer realmente o outro, algo que não havia sido feito até então.
O terceiro caso não só é uma surpresa como está interligado com o caso Tray, que na verdade era uma isca o tempo todo que mordemos para não percebermos a verdade. Durante o episódio recebemos vários indícios de quem realmente seria o paciente, mas ainda assim surpreende ver que era Marcie o alvo de Jack. Ela era a paciente, uma inesperada mudança da narrativa. O tempo inteiro vemos o caso do ponto de vista do paciente, e não de Jack, e pela primeira vez soubemos seu diagnóstico apenas no fim do capítulo, e não foi um final feliz. Tray, acusado injustamente, se matou em sua cela, e Marcie acaba entrando em depressão, desenvolvendo um distúrbio decorrente. A tentativa de recriar o julgamento, porém, não surte o efeito esperado, e Marcie não se recupera.
O fato é que os pontos fracos sempre presentes foram quase neutralizados, e o episódio foi o melhor até agora em termos de roteiro. Chris Vance resgata um pouco do Jack caricata, mas não foi nada exagerado hoje. Nenhum outro ator, com exceção da intérprete de Marcie, deixou a desejar. As tramas até então mínimas e aleatórias, e algumas esquecidas dês de o primeiro capítulo, começam a se interligar e intensificar, e há pela primeira vez uma interação grupal entre o corpo docente do hospital, que não aparentava nenhum vestígio de convivência fora do trabalho, através de um jogo de pôquer. Uma pena que esta interação foi limitada pela epidemia de gripe que parece desolar o hospital (e a minha casa =P). Senti falta de alguns personagens na cena, o Belle com certeza esquentaria tudo. A trama isolada do capítulo, que não poderia deixar de existir, foi a mais bem bolada até então.
Tudo aponta para uma única explicação: identificaram os pontos fracos e estão tentando conquistar a nova audiência, das sextas-feiras, para seguir em frente com o seriado. Nem sempre um início, meio e fim são suficientes para contar uma boa história. São necessárias reviravoltas, e é também necessário haver continuidade na trama. Parece que esta lição agora começa a ser aprendida.
São João da Capitá 2013
Há 12 anos
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